Marisa Monte compensa imperfeição de álbum anterior com disco de intérprete captado na turnê do show 'Portas'

  • 23/11/2023
(Foto: Reprodução)
Mesmo sem ser a cantora imponente de outrora, artista reitera o requinte ao dar voz a músicas de Lupicínio Rodrigues, Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Caetano Veloso e Cassiano. Capa do disco 'Portas raras (ao vivo)', de Marisa Monte Leo Aversa Resenha de disco Título: Portas raras (ao vivo) Artista: Marisa Monte Edição: Phonomotor Records Cotação: ★ ★ ★ ★ 1/2 ♪ Desde que começou a lançar álbuns autorais em 1991, ano em que apresentou o disco Mais, Marisa Monte quase sempre incluiu no repertório destes álbuns pelo menos duas músicas antigas de outros compositores, selecionadas de forma sempre surpreendente. Essas faixas foram veículos para seguidores da artista carioca apreciarem o talento da intérprete que arrebatou o Brasil há 34 anos com o lançamento do primeiro álbum, MM ao vivo (1989). As exceções foram os álbuns Infinito particular (2006) e Portas (2021), inteiramente autorais. Este último álbum de estúdio veio com 16 músicas autorais e deixou no ar a sensação de que poderia ter resultado mais coeso se tivesse pelo menos uma composição de lavra alheia. Disco lançado hoje, 23 de novembro, Portas raras (ao vivo) compensa essa imperfeição do álbum Portas com sete músicas captadas ao longo da turnê Portas (2022 / 2023), cujo show roda o Brasil e o mundo desde fevereiro do ano passado e, perto do fim, já contabiliza mais de 140 apresentações em quase dois anos. Duas das sete músicas da seleção do disco Portas raras são de autoria da própria artista, mas Seo Zé (Carlinhos Brown, Marisa Monte e Nando Reis, 1996) – música apresentada no segundo álbum solo de Carlinhos Brown, Alfagamabetizado (1996) – nunca tinha ganhado gravação oficial da artista (havia somente um registro da música com Marisa e Brown no documental vídeo Barulhinho bom, de 1996). Pois Seo Zé ressurge viçoso no disco Portas raras em gravação embebida em latinidade tropical que evidencia o pulso firme dos metais do trio formado por Antonio Neves (trombone e arranjos de metais), Eduardo Santanna (trompete e flugelhorn) e Oswaldo Lessa (saxofone e flauta). Situado na fronteira entre álbum e EP por ter sete faixas, o disco Portas raras antecede o registro integral do show Portas, anunciado em 26 de outubro pelo single Doce vampiro e programado para 14 de dezembro. Para seguidores de Marisa, o disco é puro deleite. Merece menção especial a abordagem melodiosa de Felicidade (Lupicínio Rodrigues, 1947), canção adequada ao registro vocal mais suave adotado por Marisa nos últimos anos. O canto da sereia é irresistível na faixa. A balada A lua e eu (Cassiano e Paulo Zdanowski, 1975) também flui bem na forma de melancólica canção pop romântica, mas sem o acento soul impresso por Cassiano (1943 – 2021) na gravação original apresentada na trilha sonora da novela O grito (TV Globo, 1975 / 1976). Com o sanfoneiro e cantor cearense Waldonys, Marisa faz dueto em A vida do viajante (Luiz Gonzaga e Hervê Cordovil, 1953) – levada com ternura – e em Lamento sertanejo (Dominguinhos e Gilberto Gil, 1973), ambos números pontuados pelo toque do acordeom do instrumentista. Com os versos “Sou como rês desgarrada / “Nessa multidão boiada caminhando a esmo” evocando a rota árida de Segue o seco (Carlinhos Brown, 1994), Lamento sertanejo é feito em tom sereno em gravação que ganha pulso rítmico no fim. Já O leãozinho (Caetano Veloso, 1977) ruge macio do início ao fim em dueto de Marisa com Jorge Drexler captado em apresentação em Lisboa, Portugal. Completa a seleção do disco Portas raras (ao vivo) o registro menos valioso de Pernambucobucolismo (Marisa Monte e Rodrigo Campello, 2006), música que a cantora já havia captado ao vivo para o CD inserido como bônus do DVD Infinito ao meu redor (2008). Enfim, com a edição oficial destas músicas ausentes do roteiro original do show Portas, Marisa Monte oferece mimo aos seguidores e, mesmo já não sendo mais a intérprete imponente de outros tempos, reitera o requinte vocal e mostra com o disco Portas raras (ao vivo) que ainda figura no primeiro time de cantoras da música brasileira.

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2023/11/23/marisa-monte-compensa-imperfeicao-de-album-anterior-com-disco-de-interprete-captado-na-turne-do-show-portas.ghtml


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